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Informação livre

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Depois do post do outro dia, deixo uma sugestão para um qualquer jornal (ou simples página de “noticias”): libertem a informação.

Com o amadurecer da tecnologia na Internet, tem vindo a crescer o número de “walled gardens”, como tudo o que está ligado ao iOS da Apple, e até os serviços que têm APIs próprios e não precisam (Twitter, Google, Facebook, etc). Se bem que isto dava para muita coisa, vou cingir-me aos jornais, pois insistem em cometer o mesmo erro.

O problema:

Para ler artigos em jornais online existem, resumidamente, 3 formas:

  • ir ao site do próprio jornal
  • usar a aplicação do jornal
  • usar feeds RSS que o jornal disponibiliza

Os dois primeiros estão intimamente ligados à necessidade se financiar, pois são os que permitem ter melhor retorno nos anúncios e/ou assinantes. Infelizmente, os feeds RSS são extremamente negligenciados, até pelos leitores, mas são os que melhor permitem que a informação flua. Atenção que não tem de ser assim, pois é perfeitamente possível injectar anúncios em feeds RSS.

Imagino que haja várias razões para a não adopção de RSS por ambas as partes, mas acaba por ser uma pescadinha de rabo na boca: os jornais não os implementam porque os leitores não os usam; os leitores não os usam porque os jornais não os implementam. Isto pode até ajudar a explicar o sucesso dos blogs, em que noticias e opiniões não têm que obedecer a limites tecnológicos retrogrados.

No meu caso pessoal, utilizador intensivo de RSS, é assim que leio tudo o que me interessa e, quando não os há, tento cria-los manualmente. Isto funciona, mas só até certo ponto. O certo ponto é quando, por qualquer razão, estes feeds “manuais” deixam de funcionar. De vez em quando, é possível altera-los, obtendo o mesmo resultado mas, quando assim não acontece, o mais provável é deixar de ler completamente a fonte.

A solução:

HTML, CSS, RSS.

Estas são as tecnologias standard na Internet. Sim, claro que podem e devem usar JavaScript nas vossas páginas, mas usem quando o objectivo é melhorar a experiência do leitor e não dificultar-lhe a vida.

Exemplo prático:

Um jornal tem várias secções (noticias de ultima hora, desporto, artigos de opinião, etc). Porque não ter um feed RSS por secção? E se esse feed for cumulativo? Por exemplo:

www.jornal.pt/desporto/feed.rss

pode ser o feed que permite ler/listar todos os artigos na secção de desporto. Agora imaginemos que eu só gosto de ping-pong. Que tal permitir o seguinte:

www.jornal.pt/desporto/ping-pong/feed.rss

E assim veria apenas os artigos da secção de desporto relacionados com ping-pong. Este “acumular” de restrições poderia ser baseado em palavras chave, que a maior parte dos jornais já usa.

Outro exemplo:

www.jornal.pt/opiniao/antonio-silva/feed.rss

Isto poderia permitir listar apenas os artigos de opinião escritos por “António Silva”

Vantagens:

  • para o jornal:
    • permite injectar publicidade direccionada nos feeds. No exemplo anterior, os feeds da secção de desporto poderiam ter anúncios de ténis e não de pensos higiénicos (partindo do principio que o mercado alvo compra poucos pensos higiénicos)
    • contabilizar exactamente quantas pessoas lêem determinados temas
    • estatísticas(?)
  • para o leitor:
    • poder ler o que mais lhe interessa
    • ser notificado quando há novos artigos sem ter que ir à pagina do jornal
    • poupança de tempo

E seria assim um mundo ideal, onde os amanhãs cantam.

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