O meu mano velho mandou-me isto hoje de manhã, num…

O meu mano velho mandou-me isto hoje de manhã, num e-mail.

Caros amigos,

Resolvi hoje escrever sobre o tema do momento especialmente porque já enjoa e não por causa do barco. Para evitar ambiguidades devo dizer que sou defensor da actual lei e das excepções e limites temporais nela inscritos em relação ao aborto.

A esquerda dá-se ares de superioridade intelectual ao arrogantemente defender a liberalização do aborto simplificando a questão ao ponto de dizer que é um direito da mulher. Ora esta simplificação acarreta algumas consequências que passo a expor:

– Ao dizer que a escolha do aborto é um direito da mulher estamos a dizer que a responsabilidade da maternidade/paternidade é exclusivamente da mulher e estamos a desresponsabilizar o homem. Como há cerca de 2000 anos que não há um nascimento por inspiração divina que consequências poderemos retirar de tais afirmações? A primeira é a hipocrisia de quem defende esta razão para a liberalização, ao defendê-la não pretende com certeza uma sociedade em que as crianças são apenas responsabilidade das Mães deixando aos Pais o simples papel de zangão reprodutor mas deixa a intervenção do Pai ao livre arbítrio da Mãe o que me leva a perguntar se não será legitimo para um Pai alhear-se da educação de um filho por este ser um direito apenas da Mãe. Mais que isto o que dizer do direito do Pai em querer um filho que a Mãe não quer? Afinal são os dois necessários para originar um. É obvio que a mulher acarreta durante 9 meses o peso da reprodução mas se falamos de direitos e de igualdade porque não falar do direito à paternidade.

– Depois do direito à paternidade, que entendo deve estar em igualdade de circunstâncias com o direito à maternidade, vamos falar da grande, e sempre esquecida pelos defensores do aborto, questão do direito à vida. Dizer que o aborto é um direito da mulher simplifica mais uma vez a questão em relação ao feto. Sem querer entrar numa questão da existência ou não de personalidade jurídica do feto ressalvo apenas a ideia de a ciência médica não ter ainda arranjado um consenso quanto ao momento em que o feto se transforma num ser humano e assim sendo deixo a seguinte pergunta: Será que querem correr o risco? O risco de ao liberalizar o aborto estar na realidade a autorizar mais que a destruição de células que potencialmente se tornarão num ser humano. Que dizer do dever que todos temos de proteger os mais fracos? Nesta situação e seja qual for a razão que leve a um aborto o ser mais desprotegido é sempre o feto (criança?) porque é o único que não tem qualquer escolha ou possibilidade de se proteger.

– Outra consequência é a desresponsabilização do acto sexual. Hoje em dia existem um sem número de métodos contraceptivos que permitem uma vida sexual responsável sem grande esforço. O acesso a eles é gratuito nos centros de saúde e não existe razão para que não sejam utilizados, por mulheres e homens. Há sem dúvida um conjunto de pessoas que devido à sua idade (jovem) ou isolamento (fora dos centros urbanos) não terão acesso a estas informações e a um planeamento familiar digno mas não é por estas pessoas que os defensores da liberalização do aborto lutam, porque se fosse, de certo que estariam envolvidos acima de tudo na melhoria da educação sexual e na divulgação da informação às pessoas a quem esta não chega ainda. Tal como tudo na vida o direito ao sexo exige responsabilidade e se alguém se julga capaz de a assumir deve então acartar com a totalidade dos deveres que a acompanham. Não se pense que defendo a castidade ou qualquer forma de abstinência, nada disso, defendo apenas a responsabilidade nos direitos e nos deveres. É um princípio de vida.

Finalmente não vou comentar o barco do populismo porque ele é só e apenas isso, uma operação de populismo e propaganda sem conteúdo.